Mariana Lima Oftalmologia Veterinária Agendar avaliação

Guia · Catarata em cães

Seu cachorro está com catarata. E agora?

Catarata tem tratamento. Este guia explica, na ordem em que as dúvidas aparecem, o que está acontecendo no olho dele e o que fazer a partir de hoje.

Dra. Mariana Lima no consultório da OLHOVIVO, com um cachorro de óculos no colo
Selo: 1ª clínica 100% focada em oftalmologia veterinária

Primeiro: tem tratamento

Receber o diagnóstico assusta, e é natural pensar logo na cegueira. Mas a catarata é uma das poucas causas de perda de visão em cães que têm tratamento de verdade: a cirurgia remove a lente opaca e coloca uma lente artificial no lugar.

Nos grandes centros de oftalmologia veterinária, a cirurgia devolve a visão a longo prazo em 80 a 90% dos cães operados. Quando ela é feita cedo, antes de a catarata amadurecer, o sucesso pode chegar a cerca de 95% em casos bem selecionados.

Ou seja: a pergunta mais importante não é se tem jeito. É em que fase está a catarata do seu cachorro, e qual é o melhor momento para agir.

O que está acontecendo no olho dele

Dentro do olho existe uma lente, chamada cristalino. Ela fica atrás da íris (a parte colorida) e tem uma função simples: focar a luz na retina, que transforma a imagem em sinal para o cérebro. Para isso, ela precisa ser transparente.

Catarata é qualquer opacidade nessa lente. Ela pode começar como um ponto pequeno, que nem atrapalha a visão, e crescer até tomar a lente inteira. Quanto mais opaca a lente, menos luz chega à retina, e é por isso que a visão vai embora aos poucos.

Em casa, os sinais costumam aparecer nesta ordem: o centro do olho fica esbranquiçado, azulado ou acinzentado; ele começa a esbarrar em móveis, principalmente no escuro ou em lugares novos; hesita antes de pular do sofá ou de descer escada; erra o petisco jogado para ele.

É catarata ou é a idade?

Nem todo olho azulado é catarata. Com a idade, é comum o cão desenvolver a esclerose nuclear: a lente fica mais densa e ganha um tom azul-acinzentado, mas continua deixando a luz passar. É uma mudança normal do envelhecimento e não cega.

Esclerose nuclearCatarata
AparênciaAzul-acinzentado, uniforme, no centro da lenteBranco, às vezes em manchas ou raios
VisãoPreservadaPiora conforme a catarata avança
Quem temCães mais velhos, como parte da idadeQualquer idade, por várias causas
O que fazerAcompanhar nas consultas de rotinaAvaliação com oftalmologista veterinário

A diferença a olho nu engana até tutor experiente. Quem separa uma da outra é o exame com luz e lente de aumento, feito pelo oftalmologista.

Ele vai ficar cego?

Muitas cataratas avançam, e não é possível presumir que vão ficar estáveis. Elas passam por quatro fases, e cada uma pede uma conduta diferente:

01

Incipiente. Um ponto ou uma área pequena da lente. A visão quase não muda, e o tutor raramente percebe.

02

Imatura. A opacidade cresce, mas ainda passa luz. O cão enxerga pior, sobretudo no escuro. É a melhor fase para operar.

03

Madura. A lente inteira fica opaca e o olho deixa de enxergar. A cirurgia ainda é possível, mas o risco de complicação sobe.

04

Hipermadura. A lente começa a se desfazer e vazar proteínas dentro do olho. É a fase que mais inflama e a que tem pior prognóstico.

O risco não é só a cegueira. A catarata avançada provoca uma inflamação dentro do olho, a uveíte induzida pelo cristalino, que pode levar a glaucoma, deslocamento da lente e descolamento de retina. Nos casos mais graves, o olho perde a visão e o conforto, e pode ser preciso removê-lo. Por isso, mesmo quando a cirurgia não é o caminho, o olho com catarata precisa de acompanhamento.

Não sabe em que fase está a catarata dele?

A consulta responde isso, e diz se ele é candidato à cirurgia.

Agendar avaliação

Colírio resolve?

Não existe colírio, suplemento ou remédio que dissolva a catarata. A lente opaca não volta a ser transparente.

O colírio tem outro papel: controlar a inflamação que a catarata provoca, para proteger o olho enquanto a cirurgia não acontece, ou quando ela não é indicada. É um cuidado importante, mas não devolve a visão.

Os números mostram a diferença. Num estudo com cães diabéticos, 94,8% dos operados enxergavam na última consulta. Entre os tratados só com colírio, 7,6% recuperaram alguma visão.

Por que aconteceu

É comum o tutor se perguntar se fez algo errado. Na grande maioria dos casos, não. As causas mais frequentes são:

  • Herança genética. Algumas raças têm predisposição hereditária, e a catarata pode aparecer ainda em cães jovens.
  • Diabetes. É a causa que mais corre. Metade dos cães diabéticos desenvolve catarata nos primeiros seis meses depois do diagnóstico. Leia sobre diabetes e catarata.
  • Idade. Com os anos, a lente perde transparência. Não confunda com a esclerose nuclear, que é outra coisa.
  • Outras doenças do olho. Inflamação crônica (uveíte) e doenças da retina podem levar à catarata.
  • Trauma. Uma pancada ou um ferimento no olho.
  • Nutrição de filhotes. Filhotes órfãos alimentados com substituto de leite podem desenvolver catarata.

Saber a causa ajuda a decidir. A catarata da diabetes, por exemplo, avança rápido e pede pressa; a de um cão idoso pode estar evoluindo há anos.

Como é a avaliação

Antes de falar em cirurgia, é preciso saber duas coisas: se o olho tem condição de voltar a enxergar, e se o cão tem condição de passar pela anestesia. A triagem responde as duas.

  • Exame oftalmológico completo, com medida da lágrima e da pressão dentro do olho.
  • Eletrorretinograma. Avalia se a retina, atrás da catarata, está funcionando. Se a retina não funciona, tirar a catarata não devolve a visão.
  • Ultrassom do olho. Mostra a lente, a retina e o líquido atrás da lente, que a catarata esconde do exame comum.
  • Exame clínico e de sangue, para conferir a saúde geral antes da anestesia. Em cães diabéticos, entra também o controle da glicemia.

É essa triagem que dá ao seu animal a maior chance de sucesso possível. E ela também protege: quando os exames mostram que a chance de boa visão é baixa, a cirurgia não é indicada.

Operar ou esperar

Por muito tempo se disse que era preciso esperar a catarata amadurecer. Em cães, é o contrário: quanto mais cedo a cirurgia, maior a chance de sucesso. A catarata madura e a hipermadura inflamam o olho, deixam a lente instável e aumentam o risco de glaucoma e descolamento de retina depois da cirurgia.

Isso não quer dizer que todo cão com catarata deva ser operado. A decisão depende da fase, do resultado da triagem, da saúde geral do animal e da rotina da família, porque o pós-operatório pede colírios várias vezes ao dia e retornos ao longo dos meses.

Quando a cirurgia não é indicada, o caminho é controlar a inflamação e acompanhar o olho de perto, para mantê-lo saudável e confortável.

Dra. Mariana Lima ao microscópio no centro cirúrgico da OLHOVIVO

Como é a cirurgia

A técnica é a facoemulsificação, a mesma usada em pessoas. Com o cão anestesiado e sob microscópio cirúrgico, o cirurgião faz uma abertura pequena no olho, fragmenta a lente opaca com ultrassom e aspira os fragmentos.

No lugar dela, implanta uma lente intraocular, que passa a focar a luz na retina. A catarata não volta: o que pode acontecer, com o tempo, é uma leve opacidade na cápsula que segura a lente nova, que raramente atrapalha a visão.

Na OLHOVIVO, a cirurgia é feita em uma tarde. A visão pode estar um pouco embaçada nos primeiros dias e vai clareando com o tempo.

Ver a cirurgia de catarata na OLHOVIVO

Os meses depois

O resultado da cirurgia depende muito do pós-operatório, e ele é feito em casa, pelo tutor:

  • Colírios. Vários tipos, de duas a quatro vezes ao dia nas primeiras semanas, com a frequência diminuindo aos poucos ao longo dos meses.
  • Colar elizabetano. Por pelo menos duas a quatro semanas, para ele não coçar nem esfregar o olho operado.
  • Repouso. Sem corrida e sem brincadeira agitada nas primeiras semanas.
  • Retornos. As revisões começam logo depois da cirurgia e vão se espaçando ao longo dos meses.

Depois disso, o olho operado segue com exame periódico pela vida toda. Algumas complicações, como glaucoma e descolamento de retina, podem aparecer meses ou anos depois, e o acompanhamento é o que permite pegá-las cedo.

Perguntas frequentes

Catarata dói?

A catarata em si não costuma doer. A inflamação que ela provoca, quando avança, pode incomodar, e é um dos motivos para não deixar o olho sem acompanhamento.

Meu cachorro é idoso. Ainda pode operar?

Idade não é doença. Quem decide é a triagem: os exames mostram se o olho e o cão estão em condição de passar pela cirurgia.

Gato também tem catarata?

Tem, e a cirurgia também é feita em gatos e em outras espécies. Cães são a maioria dos casos.

A catarata pode voltar depois da cirurgia?

Não. A lente opaca é removida. Com o tempo, pode surgir uma leve opacidade na cápsula que segura a lente nova, que raramente atrapalha a visão.

Moro em outra cidade. Como faço?

Recebemos tutores de todo o Brasil, e a cirurgia é feita em uma tarde.

Fontes: Ohio State University Veterinary Medical Center, Cataract Surgery (2022); Cornell University College of Veterinary Medicine, Canine Cataracts; dvm360, Cataract surgery in veterinary medicine today; Beam e colegas, Veterinary Ophthalmology (1999); estudo retrospectivo de facoemulsificação em catarata diabética, Journal of Veterinary Science (2023). Este guia é informativo e não substitui a consulta.

Quer saber em que fase está a catarata dele?

O primeiro passo é a avaliação. Atendimento particular.

Agendar avaliação pelo WhatsApp